FACEBOOK

X

PUBLICAÇÕES ACADÊMICAS

Eliane Silvia Costa

No Brasil, historicamente, os sujeitos negros e rurais passam por persistentes processos de desigualdades materiais e simbólicas. Escolhemos, pois, pesquisar uma comunidade negra rural do Vale do Ribeira, o quilombo Maria Rosa, situado em Iporanga. Este foi o primeiro quilombo paulista a receber o título de domínio de uso de terras atribuído pela Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP). Com base nos relatos dos quilombolas entrevistados, buscamos pesquisar se há relação entre a implantação da política pública de titulação de terras e o fortalecimento de uma identidade racial negra nos moradores do referido quilombo. Neste sentido, se a política pública opera psiquicamente como dispositivo contra o racismo.

Baixe a tese.

Deivison Mendes Faustino

Este trabalho discute os diferentes caminhos, usos e apropriações do pensamento de Frantz Fanon no Brasil a partir da década de 1950. O estudo se aproxima das proposições de Wynter (1999) e Gordon (2015) ao identificar na perspectiva da sociogênese o eixo estruturante do estatuto teórico fanoniano, e de Hall (1996) e Sekyi-Otu (1996) ao reconhecer no pensamento do autor a articulação aberta e não concluída de elementos teóricos e políticos diversos. A partir dessa constatação, argumenta que o legado de Fanon será reivindicado de maneira diversa por vertentes teóricas distintas e, por vezes, conflitantes.

Baixe a tese.

Mafoane Odara Poli Santos

O “objetivo deste estudo, parte da linha de pesquisa “Pesquisa Psicossocial da Desigualdade: Relações Étnico-raciais” foi de escrever que sentidos e significados médicos e médicas conferem aos temas médico-sociais na sua trajetória e formação, especialmente como concebem os determinantes sociais de gênero e raça.

Palavras-chave: determinantes sociais em saúde; gênero; raça; formação médica; relação médico-paciente; racismo; branquitude; direitos humanos.

Baixe a dissertação.

Kwame Yonatan Poli dos Santos

Não é de hoje que a humanidade busca remédios para atenuar, tratar e curar os mais diferentes tipos de sofrimento. Com as ”doenças da alma/corpo” a história não tem sido diferente. Pesquisamos os efeitos do uso a longo prazo de antidepressivos a partir do relato de cinco pessoas, que utilizam o remédio há mais de três anos. O estado subjetivo da depressão e os antidepressivos são as contingências que fornecem os relevos para respondermos sobre a existência de um sofrimento remanescente ao uso do psicofármaco. Deste modo, na pesquisa investigamos como a medicalização da depressão entra num dispositivo que faz dela a realidade do tratamento dos transtornos psíquicos, o contexto no qual a depressão se insere e a sua função no intercâmbio social. Desdobramos as múltiplas faces dos psicofármacos, resgatando, o conflito inerente ao phármakon.

Baixe a dissertação.

Clélia Rosane dos Santos Prestes

A pesquisa teve por objetivo analisar processos de resiliência em mulheres negras, considerando as influências de conteúdos oriundos de transmissão psíquica (familiares negras, descendentes, ascendentes, ancestrais), de simbolismos associados a mulheres negras, e de significados decorrentes do pertencimento a manifestações negras (culturais, políticas, intelectuais, religiosas). Como metodologia, entrevistas (com estratégia de cenas) com quatro mulheres negras de diferentes gerações na mesma família; os dados passaram por análise de conteúdo, com colaboração das entrevistadas. Considerou-se a demanda e interesse por potenciais para a saúde, abordando o problema com enfoque em pontos de resolução e fortalecimento, focalizando prevenção, superações, amadurecimentos, potenciais, e extrapolando o foco exclusivo ou maior em mazelas e impactos negativos. Foi escolhida uma postura de ampliação do panorama considerado na análise do fenômeno, conjugando os contextos individual, social e histórico do problema. Tais posturas estão em consonância com as teorias adotadas, passando pela psicanálise, psicanálise social, psicanálise dos vínculos, psicologia social, psicologia afrocentrada, entre outras, incluindo os recortes racial e de gênero e a abordagem psicossocial.

Baixe a dissertação.

Maria Letícia Puglisi Munhoz

Considerando os princípios da igualdade, solidariedade e direito à diferença, que regem a Constituição Federal e os documentos internacionais de Direitos Humanos, o presente trabalho, com base em produção teórica da área da psicologia social, antropologia, direito e educação e experiência empírica, investiga os componentes presentes nas relações sociais entre os jovens brancos e negros, que se caracterizam como componentes fornecidos pela cultura brasileira que contribuem para a perpetuação das condutas preconceituosas e da discriminação étnico-racial contra os negros e, conseqüentemente, a desigualdade racial no Brasil. Para a investigação empírica, foram realizadas entrevistas, por meio de um questionário semi-estruturado, com os jovens brancos e negros cotistas que são alunos de algumas universidades brasileiras que implementaram a política de ação afirmativa por meio de cotas raciais. Tudo isso com a finalidade de produzir elementos que venham contribuir para o desenvolvimento de programas educacionais que tenham como objetivo efetivamente promover a eliminação da discriminação racial e o convívio mais igualitário nas relações sociais em um contexto de diversidade, como é o caso da Educação em Direitos Humanos.

Baixe a Tese

Maria Aparecida Miranda - Dissertação apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, 2004

Este trabalho busca verificar as inscrições que o fenômeno do racismo opera na constituição subjetiva das meninas negras e justifica-se pelo pequeno número de investigações que se detêm nessa temática e pela ausência de trabalhos com essa população específica.

Baixe a tese.

Lia Vainer Schucman - Tese apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, 2001

Schucman, Lia Vainer. (2012) Entre o “encardido”, o “branco” e o “branquíssimo”: Raça, hierarquia e poder na construção da branquitude paulistana. Tese de Doutorado, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo. O objetivo desta tese é compreender e analisar como a ideia de raça e os signi"cados acerca da branquitude são apropriados e construídos por sujeitos brancos na cidade de São Paulo. A branquitude é entendida aqui como uma construção sócio-histórica produzida pela ideia falaciosa de superioridade racial branca, e que resulta, nas sociedades estruturadas pelo racismo, em uma posição em que os sujeitos identi"cados como brancos adquirem privilégios simbólicos e materiais em relação aos não brancos. Para a realização deste trabalho apresento uma abordagem conceitual dos estudos sobre branquitude dentro da psicologia social e das ciências humanas. Apresento também seus desdobramentos para o entendimento do racismo contemporâneo, bem como revisão teórica de como o conceito de raça foi produzido a partir do pensamento acadêmico europeu do século XIX e reproduzido no pensamento social paulistano. A pesquisa de campo foi desenvolvida por meio da realização de entrevistas e conversas informais com sujeitos que se auto identi"caram como brancos de diferentes classes sociais, idade e sexo. Nosso intuito era compreender a heterogeneidade da branquitude nesta cidade. As análises demonstraram que há por parte destes sujeitos a insistência em discursos biológicos e culturais hierárquicos do branco sob outras construções racializadas, e, portanto, o racismo ainda faz parte de um dos traços uni"cadores da identidade racial branca paulistana. Percebemos também que os signi"cados construídos sobre a branquitude exercem poder sobre o próprio grupo de indivíduos brancos, marcando diferenças e hierarquias internas. Assim, a branquitude é deslocada dentro das diferenças de origem, regionalidade, gênero, fenótipo e classe, o que demonstra que a categoria branco é uma questão internamente controversa e que alguns tipos de branquitude são marcadores de hierarquias da própria categoria.

Baixe a tese.

Lúcio Otavio Alves Oliveira - Universidade Federal Da Bahia, 2007

Uma das principais características da discriminação racial no Brasil é o não reconhecimento deste problema. Boa parte da literatura, da música e mesmo das Ciências Humanas e Políticas celebram e afirmam a igualdade e a importância comum de todas as raças. O contexto social multirracial brasileiro propicia dinâmicas bastante diferenciadas em termos da experiência subjetiva para negros e brancos. A marca da diferença começa bem cedo: em casa, na escola, na rua, ou seja, nos espaços de educação e socialização. Vicissitudes como essa fazem com que negros e afro-descendentes enfrentem inúmeros problemas de identidade, pois muitas vezes acabam tendo que se identificar com uma condição pré-definida como negativa ou inferior. A psicologia brasileira possui uma escassa produção acerca da temática racial, o que revela que a questão tem, na maioria das vezes, escapado ao olhar e aos cuidados dos profissionais de Psicologia. Histórica e persistentemente reitera-se que aspetos oriundos das desigualdades raciais, como o preconceito e a discriminação racial são problemas exclusivos dos negros, uma vez que somente eles são estudados e problematizados. Recentemente, foram desenvolvidos alguns estudos focalizando indivíduos brancos, o que se constitui em uma importante reflexão sobre o papel deles na manutenção das desigualdades raciais. O estudo do papel do branco nas relações raciais mostra-se importante, pois a construção de si mesmo e do outro são indissociáveis. O objetivo geral desta pesquisa foi investigar representações sociais de branquitude entre indivíduos brancos; mais especificamente descrever e analisar representações sociais de brancos sobre si mesmos e os significados associados à branquitude, tendo como fundamento psicológico, os processos de mediação social e de subjetivação que irão conformar aquelas representações e vincular significados. Trata-se de um estudo exploratório de características de sentido subjetivo social que se expressam no regime discursivo, revelando práticas sociais. Tomamos o objeto das representações em uma delimitação produzida socialmente, que tem, em sua base, elementos de sentido pertencentes a uma subjetividade social e que permanecem ocultos com relação ao conteúdo explícito da representação. Através dos depoimentos de entrevistas de 8 (oito) estudantes de graduação, auto-identificados de cor/raça branca, do sexo masculino e feminino, dos cursos de Psicologia e de Ciências Sociais da Universidade Federal da Bahia. Utilizando técnicas de análise do discurso, levantaram-se questões sobre como se constituem as representações e foram feitas as descrições e análises do conteúdo das mesmas. Com base nos padrões de respostas, associações de significado, da escuta das entrevistas e leitura da transcrição das mesmas, freqüência e relevância dos temas surgidos, e nos objetivos e finalidades da pesquisa, surgiram três amplos temas: 1) a “relativa” falta de consciência da própria racialidade e dos privilégios de ser branco; 2) combate à discriminação e promoção da igualdade racial: sentimentos e reverberações; 3) percepção do preconceito e da discriminação racial na família. A capacidade representacional diz respeito a um sujeito psicológico, mas não pode ser entendida sem levarmos em conta a dimensão de alteridade. No caso do presente estudo, a análise dessa dimensão de alteridade trouxe informações de grande relevância para descrever e discorrer sobre os significados de pertencer a um grupo que não vivencia marcadamente a experiência racial em seu cotidiano. A utilização da técnica da entrevista e da análise de discurso também foram importantes para demonstrar que as representações sociais expressas nas entrevistas ultrapassam o trabalho individual do psiquismo e emergem como um fenômeno necessariamente colado ao tecido social. As representações sociais de branquitude foram marcadas pela re-apresentação arraigada de que ser branco é ser “normal”, pela não implicação com a problemática racial; minimização da importância do aspecto racial na experiência cotidiana, desidentificando a si mesmo e ao grupo (evasão de poder), pessoas desracializadas, mas que possuem conhecimento de uma geografia racial do outro; não reconhecimento, minimização de privilégios oriundos das desigualdades raciais; proteção do núcleo familiar; argumentação da presença do racismo em gerações passadas, mais do que na geração presente.

Baixe a tese.

Weber Lopes Góes – Unesp – Marília, 2015

A presente dissertação apresenta as determinações sociais relacionadas à objetivação do movimento eugenista no Brasil a partir da trajetória de Renato Kehl (1889-1974), principal expoente da ideologia eugenista no Brasil. Médico e farmacêutico, de forma aguerrida, defendeu a difusão e implantação do projeto eugênico, realizando conferências em todo o Brasil e em vários países da América Latina. Para Renato Kehl, a elite intelectual brasileira teria como responsabilidade instituir parâmetros da eugenia, isto é, o sucesso dependeria da sua implantação como política pública. Para essa finalidade, funda, em 1918, a Sociedade Eugênica de São Paulo, com a missão de difundir as ideias eugênicas no Brasil e implantar propostas de cariz eugênico. Renato Kehl foi também um dos principais articuladores do movimento de criação e fomento de instituições em nível nacional; em 1929, cria o Boletim de Eugenia, a fim de publicar textos sobre a temática nos âmbitos nacional e internacional, assim como divulgar as propostas de leis baseadas na eugenia e implantadas em países como os Estados Unidos da América e Alemanha. Foi o precursor do movimento no Brasil e defendeu que o povo brasileiro estaria perfeitamente efetivado caso fossem extintos os débeis mentais, loucos, psicopatas, criminosos, delinquentes e “desviados”; epiléticos, alcoólatras e dependentes de drogas ilícitas; doentes (tuberculosos, leprosos, dentre outros); cegos e surdos; disformes, pessoas dependentes da assistência social, moradores de rua, “vagabundos” e indigentes.

Baixe a tese.

Isildinha Baptista Nogueira – Universidade de São Paulo, 2008

Este trabalho tem como objetivo investigar a dimensão psíquica da questão do racismo, partindo da hipótese de que essa realidade histórico-social determina, para os negros, configurações psíquicas peculiares. A partir do referencial da teoria psicanalítica, procura-se determinar o modo como as significações que o racismo envolve se inscrevem psiquicamente para o negro, e o modo como elas vão produzir a dimensão simbólica do corpo negro e ideal imaginário da brancura. Tais inscrições psíquicas não são simplesmente resultado da introjeção das experiências de discriminação efetivamente vivenciadas, mas se constituem na infância, envolvendo momentos iniciais da constituição subjetiva. Nesse sentido, afetam os negros independentemente de sua posição econômico-social. Nessa abordagem, busca-se definir a condição de negro como produto da interação dialética entre, de um lado, as representações sociais ideologicamente estruturadas e as estruturas sócio-econômicas que as produziram e as reproduzem, de outro, as configurações que formam o universo psíquico. Este trabalho pretende chamar a atenção para o fato de que nem a consciência da condição de negro nem o engajamento em relação às lutas políticas contra a discriminação racial são suficientes para modificar a condição do negro, na medida em que os sentidos do racismo, inscritos na psique, permanecem não elaborados.

Baixe a tese.

João Luiz Dornelles Bastos – Universidade Federal de Pelotas, Rio Grande do Sul, 2010

Desde meados do século XX, as desigualdades sociais em saúde têm recebido renovado destaque na literatura científica. Marcada por controvérsias teóricas e metodológicas, a investigação de dimensões “raciais” dessas desigualdades figura como abordagem promissora nesta área de pesquisa. Buscando compreender as origens das desigualdades “raciais” em saúde, alguns autores têm utilizado estratégias, como a mensuração do relato de discriminação. O objetivo deste trabalho consiste em elaborar um instrumento para medir o relato de discriminação “racial” em indivíduos adultos no Brasil. Os itens do instrumento serão selecionados mediante uma revisão da literatura e a condução de grupos focais. Posteriormente, tais itens serão avaliados por estudiosos das relações raciais no Brasil. A versão preliminar do instrumento será testada em um estudo piloto para um refinamento dos itens. Em seguida, a escala será aplicada em uma amostra de estudantes de graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Análises de confiabilidade e de validade serão conduzidas na etapa final de construção do instrumento. A elaboração desta escala pode contribuir para o entendimento do papel que a discriminação “racial” exerce como determinante das condições e desigualdades em saúde no Brasil.

Baixe a tese.

Rafael Guerreiro Osorio – Universidade de Brasília, Brasília, 2009

Esta pesquisa apresenta uma análise da desigualdade racial de renda no Brasil para investigar a validade da tese de que a sua persistência se deve prepoderantemente ao peso exarcebado da origem social nos processos de estratificação caracterizando um regime de baixa mobilidade, no qual há ainda complemento de efeitos menores da discriminação racial.

Baixe a tese.